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Alguém
tinha que ser a 1ª, diz pioneira Esther Figueiredo
Ferraz, que foi Ministra da Educação em 1982.
Folha de São Paulo - SP,
08/03/2005, Cotidiano
** ANTÔNIO GOIS

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As mulheres já são maioria
no ensino superior brasileiro e avançam em quase todas
as profissões. Mas nem sempre foi assim. Que o diga
Esther de Figueiredo Ferraz, que completou 90 anos neste ano.
Primeira mulher a dar aula na Faculdade de Direito da USP
(Universidade de São Paulo), primeira reitora de universidade
e primeira ministra de Estado da história do Brasil,
ela explica tanto pioneirismo com simplicidade: "Alguém
tinha que ser a primeira, e aconteceu de ser eu".
Em 1940, ano em que Esther iniciou seu
curso de direito na USP, o Censo do IBGE deixava claro que
mulher em universidade era coisa rara, já que apenas
34% delas sabiam ler e escrever (entre os homens, a taxa era
de 42%).
Na década de 50, Esther se tornou
a primeira professora do curso de direito da USP. Ela conta
que, antes da primeira aula, foi alertada de que poderia haver
resistência dos alunos. "Preparei uma ótima
aula. Quando entrei na sala, os alunos se levantaram e bateram
palmas. Na minha mesa, havia uma maçã com um
bilhete escrito "an apple for the teacher" [uma
maçã para a professora]." Após vencer
a barreira do magistério no ensino superior, Esther
foi assumindo postos mais altos. Foi a primeira reitora da
Universidade Mackenzie,
primeira secretária da Educação de São
Paulo e, em 1982, a primeira ministra do Brasil, assumindo
a pasta da Educação no governo João Figueiredo
(1979-1985). Foi em sua gestão que foi aprovada uma
das leis mais importantes para a educação até
hoje: a Emenda Calmon, que determinava percentuais mínimos
de gastos da União, dos Estados e dos municípios
em educação. Há duas semanas, ao receber
o título de doutora honoris causa da UniverCidade,
no Rio, ela mostrou otimismo: "Falta qualidade em certas
áreas, mas a educação vem melhorando,
e mais gente pode estudar hoje." Apesar do avanço
das mulheres no mercado de trabalho, Esther ainda é
a única mulher a ter ocupado o Ministério da
Educação. Prova de que, mesmo numa área
em que elas representam 94% dos professores de ensino fundamental,
ainda há muito a progredir.
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