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Ano 01 - edição de junho


Mackenzie realiza palestra Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil: Intervenções e Encaminhamentos

O Instituto Presbiteriano Mackenzie ofereceu ao público a palestra Violência e criminalidade Infanto-Juvenil: Intervenções e Encaminhamentos, ministrada pelo Procurador Regional da República Guilherme Zanina Schelb. O evento teve como objetivo capacitar pais, professores e demais profissionais que precisam de orientação segura e prática para torná-los aptos a antecipar e prevenir atos de violência contra crianças e adolescentes.

Embora muitas pessoas já possuam uma natural atenção e bom senso para agir preventivamente, é necessário haver uma preparação metódica para observar com atenção as situações embrionárias de risco. Em sua palestra, o Procurador enfatizou dois aspectos graves, porém recorrentes da violência contra crianças e adolescentes: os abusos físico e sexual.

De acordo com Schelb, na gênese do adulto violento há histórico de abusos sofridos durante a infância. Por isso a prevenção é tão importante. Para tanto, o Procurador recomenda a análise de cinco etapas essenciais que formam o procedimento básico para a identificação de situações de risco: desconfiar, ouvir, investigar, intervir e encaminhar.

Para que o resultado dessa análise seja o mais próximo possível da realidade, é preciso levar em conta alguns aspectos apontados pelo palestrante, como o fato de a grande maioria dos abusos, sejam eles físicos (surras e humilhações) ou sexuais (estupros, aliciamentos, exploração sexual) acontecer no âmbito familiar e muitas vezes ser provocados por padrastos, tios, primos, vizinhos e até pais.

E a recorrência não se faz somente em classes econômicas mais baixas: de acordo com Schelb é comum também que tais atos aconteçam em classes mais ricas, porém são menos divulgados por serem menos denunciados e, por conseqüência, menos investigados.

Voltado para educadores, o Procurador recomendou que uma suspeita percebida em sala de aula não deve nunca ser reportada imediatamente à família. Antes disso, seria prudente o professor conversar com o próprio aluno ou com um de seus amigos. De acordo com ele, a suspeita somente deve ser levada à família depois de chegada à conclusão de que a violência não acontece na própria família.

Nesse caso, o Procurador recomenda que o professor converse com outro professor e depois reporte o caso à direção da Escola, para que a Instituição tome as providências legais e pertinentes, como encaminhamento do caso ao Conselho Tutelar ou Promotoria de Justiça, por exemplo.

O Procurador relata que muitas vezes a criança que sofre a violência se nega a reconhecê-la pelo triste fato de, às vezes, já tê-la assimilado como normal ou rotineira. Mas alerta para indícios muito claros, como verificar o uso insistente de blusas de gola alta e manga longa, mesmo em dias quentes, uso de gorros e blusas de capuz, que visam a esconder a cabeça e eventuais vestígios de espancamento, além de ações como dificuldades ao sentar-se, empunhar a mão em forma de murro e choro recorrente.

Além disso, comportamentos autodestrutivos e auto-punitivos, hiperatividade ou apatia constante, bem como demonstrações de desejo de morte ou suicídio devem ser imediatamente levados em consideração. Ele alerta ainda para o fato de a segunda-feira ser considerada um dia crucial para a investigação de tais vestígios, inclusive porque a criança abusada normalmente falta à escola neste dia.

Durante a palestra, Schelb ressaltou que, justamente pelo fato de a Escola não presenciar crimes como esses, é preciso que esteja atenta aos indícios e tome providências ainda no estágio embrionário do problema, pois, na maioria das vezes, a gravidade da violência contra crianças e adolescentes acontece de forma progressiva até chegar a um nível irreversível.

Mais informações, bem como solicitações de palestras, podem ser obtidas pelo site www.violenciaecriminalidade.com.br

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