Mackenzie realiza palestra Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil:
Intervenções e Encaminhamentos
O
Instituto Presbiteriano Mackenzie ofereceu ao público a palestra
Violência e criminalidade Infanto-Juvenil: Intervenções
e Encaminhamentos, ministrada pelo Procurador Regional da República
Guilherme Zanina Schelb. O evento teve como objetivo capacitar pais,
professores e demais profissionais que precisam de orientação
segura e prática para torná-los aptos a antecipar e prevenir
atos de violência contra crianças e adolescentes.
Embora
muitas pessoas já possuam uma natural atenção e
bom senso para agir preventivamente, é necessário haver
uma preparação metódica para observar com atenção
as situações embrionárias de risco. Em sua palestra,
o Procurador enfatizou dois aspectos graves, porém recorrentes
da violência contra crianças e adolescentes: os abusos
físico e sexual.
De
acordo com Schelb, na gênese do adulto violento há histórico
de abusos sofridos durante a infância. Por isso a prevenção
é tão importante. Para tanto, o Procurador recomenda a
análise de cinco etapas essenciais que formam o procedimento
básico para a identificação de situações
de risco: desconfiar, ouvir, investigar, intervir e encaminhar.
Para que o resultado dessa análise seja o mais próximo
possível da realidade, é preciso levar em conta alguns
aspectos apontados pelo palestrante, como o fato de a grande maioria
dos abusos, sejam eles físicos (surras e humilhações)
ou sexuais (estupros, aliciamentos, exploração sexual)
acontecer no âmbito familiar e muitas vezes ser provocados por
padrastos, tios, primos, vizinhos e até pais.
E a recorrência não se faz somente em classes econômicas
mais baixas: de acordo com Schelb é comum também que tais
atos aconteçam em classes mais ricas, porém são
menos divulgados por serem menos denunciados e, por conseqüência,
menos investigados.
Voltado
para educadores, o Procurador recomendou que uma suspeita percebida
em sala de aula não deve nunca ser reportada imediatamente à
família. Antes disso, seria prudente o professor conversar com
o próprio aluno ou com um de seus amigos. De acordo com ele,
a suspeita somente deve ser levada à família depois de
chegada à conclusão de que a violência não
acontece na própria família.
Nesse
caso, o Procurador recomenda que o professor converse com outro professor
e depois reporte o caso à direção da Escola, para
que a Instituição tome as providências legais e
pertinentes, como encaminhamento do caso ao Conselho Tutelar ou Promotoria
de Justiça, por exemplo.
O
Procurador relata que muitas vezes a criança que sofre a violência
se nega a reconhecê-la pelo triste fato de, às vezes, já
tê-la assimilado como normal ou rotineira. Mas alerta para indícios
muito claros, como verificar o uso insistente de blusas de gola alta
e manga longa, mesmo em dias quentes, uso de gorros e blusas de capuz,
que visam a esconder a cabeça e eventuais vestígios de
espancamento, além de ações como dificuldades ao
sentar-se, empunhar a mão em forma de murro e choro recorrente.
Além
disso, comportamentos autodestrutivos e auto-punitivos, hiperatividade
ou apatia constante, bem como demonstrações de desejo
de morte ou suicídio devem ser imediatamente levados em consideração.
Ele alerta ainda para o fato de a segunda-feira ser considerada um dia
crucial para a investigação de tais vestígios,
inclusive porque a criança abusada normalmente falta à
escola neste dia.
Durante
a palestra, Schelb ressaltou que, justamente pelo fato de a Escola não
presenciar crimes como esses, é preciso que esteja atenta aos
indícios e tome providências ainda no estágio embrionário
do problema, pois, na maioria das vezes, a gravidade da violência
contra crianças e adolescentes acontece de forma progressiva
até chegar a um nível irreversível.
Mais
informações, bem como solicitações de palestras,
podem ser obtidas pelo site www.violenciaecriminalidade.com.br